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Pe Xiko fala aos leitores do Jornal O Santuário


  Postado dia 05/07/2019 categoria Arquidiocese por usuário Karina Freitas.


Na trajetória de 50 anos de dedicação ao sacerdócio,  Pe. Xiko tem muitos momentos significativos para contar que, certamente, não cabem nesta coluna. No entanto procuraremos resumir o que ele falou em entrevista exclusiva para os leitores do Jornal O Santuário.

Como o senhor descobriu a sua vocação?

Quando eu estava no Ensino Primário, um padre foi à escola falar sobre as profissões e entusiasmou-se ao falar da vocação sacerdotal. Logo pediu que os alunos escrevessem um bilhete e dissessem que profissões gostariam de ser no futuro.

Entre as que coloquei, disse que queria ser padre sem muita noção do seu significado. Tempo depois, o mesmo padre aparece na minha casa e surpreende meus pais mostrando-lhes o bilhete. Em um mês eu estava no seminário!

O lema da sua ordenação é: “Faço de ti uma luz para as nações, para que a minha salvação chegue até os confins do mundo”. Is 46,6c. O senhor seguidamente reflete para ver se está conseguindo ser fiel a ele?

Celebro minha entrega todas os dias cinco de cada mês, à luz do lema, pois tudo é dom de Deus, eu sou apenas instrumento, nada mais.

Desses 50 anos de sacerdócio, a maioria deles o senhor dedicou e dedica à Paróquia Nossa Senhora das Dores. Como o senhor define a sua relação com essa comunidade? 

A comunidade da paróquia é minha família, minha casa e minha escola, com certeza, uma das minhas paixões.

O seu envolvimento no Movimento de Cursilho é intenso a ponto de torná-lo conhecido no Brasil inteiro, especialmente, por ter sido Assessor Nacional do MCC por 10 anos.  O que esse movimento representa para o padre e para o homem Francisco Bianchin?

Foi a melhor forma que conheci para evangelizar! Um caminho de renovação, de atualização, de santificação e especialmente de server ao Reino de Deus. Ao mesmo tempo representa garantia de fidelidade. Hoje eu não só estou no Cursilho, mas o Cursilho está em mim, seria muito difícil viver sem ele, o qual me deu uma nova dimensão de ser homem e de ser padre.

Com o passar do tempo e as experiências vividas, muitas convicções pessoais vão mudando na vida das pessoas. Na sua trajetória houve muitas mudanças?  E que lições podem ser tiradas delas para a sua própria vida e para a vida das pessoas com as quais o senhor convive?

Muitas foram as mudanças, precisamos criar uma cultura de mudança, porque estamos no mundo, e a sociedade está em permanente mudança. Procuro mudar a cada dia. As lições são muitas! Primeiro necessitamos estar abertos, acolhedores ao novo, pois Deus surpreende sempre. Aprendi que nunca sabemos tudo, nunca estamos prontos. Mas posso dizer que as mudanças não são fáceis, exigem desprendimento, coragem e, sobretudo, humildade, mas compensam.

O senhor é um homem de muitos amigos. O que eles representam em sua vida?

Os amigos são a condição do equilíbrio. Os amigos são condição de realização e o encanto da vida. São como que as flores do jardim, sem eles somos áridos. Os amigos são uma das mais fortes linguagens de Deus. Na história de minha vida, foram e são decisivos. Por um lado, são lenitivo das horas amargas, por outros tantos lados são o estímulo, a força e a razão de imensas alegrias.

Seguidamente o senhor diz ter três famílias: a de origem, a Palotina e a comunidade da Paróquia. Como o senhor consegue se relacionar com elas?

Na verdade, agora já são no mínimo 4 famílias, as três mencionadas e a comunidade cursilhista de Santa Maria e do Brasil. Muitas vezes me sinto irmão, peregrino de caminhada, outras vezes sinto-me pai e pastor, outras vezes filho e sempre amigo para todas as horas.

Com a sua experiência de tantos anos, o que o senhor teria a dizer aos jovens que hoje preparam-se para o Ministério Sacerdotal?

A primeira condição é cultivar o homem, as potencialidades que há em cada um para não virar funcionário do sagrado, nem um repetidor de ritos. Colocar sempre, em primeiro lugar o amor gratuito, generoso, altruísta, nunca a lei ou os ritos. Paixão no que se faz. Amar sinceramente a Igreja, pois ninguém serve bem o que não ama!

O Papa, em suas homilias, fala que o presbítero é constantemente interpelado a "sair de si mesmo" para que o seu ministério seja abundantemente fecundo.  O senhor faz muito bem isso, pois é um padre extremamente atuante também nos movimentos e entidades sociais como no ADCE, Hospital de Caridade, Clube Dores, Brigada Militar, entre outros. Esse seu envolvimento contribui para que o padre se sinta mais completo para revelar a face amorosa e salvívica de Jesus?

O padre é por natureza uma pessoa em saída. É uma pessoa dos outros e para os outros, especialmente para os mais necessitados, carentes, em todas as dimensões da existência, hoje dizemos que são os que estão nas periferias geográficas e existenciais. Não é possível ser padre sem estar em saída. Vale o que disse o pai de Dom Hélder Câmara, quando ele o comunicou que desejava ser padre. “Meu filho, então deverás estar disposto a deixar-te devorar pelo povo”. É isso mesmo!

Parabéns, Pe. Xiko pelos 50 anos de dedicação ao sacerdócio em favor da vida, do amor, da esperança e da Paz!