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Vivência nos últimos dias do Leonardo


  Postado dia 11/12/2020 categoria Arquidiocese por usuário Karina Freitas.


Depois de quase dois anos de batalha contra um tumor agressivo, no 26 de outubro, dia em que o Seminário Maior celebrava a Trezena Penitencial em preparação à 77ª Romaria Estadual da Medianeira, o seminarista Leonardo Cancian foi tomar posse de sua morada na Casa do Pai.

  Diante de um tratamento que se tornava ineficaz acarretando, inclusive, na expansão do tumor para outros órgãos, a equipe médica, chefiada pela dr. RaquelFumagali Salles, propôs que se iniciassem os cuidados paliativos para redução do desconforto e da dor.

  Em seu calvário terreno, o Leonardo sempre esteve assistido por muitas pessoas, principalmente pela oração, mas também em sua vivência de fé, de modo que mesmo em seus últimos momentos vivenciou os sacramentos. Esse acompanhamento espiritual foi constante mesmo na internação, e contou até mesmo com missas no leito hospitalar.

Em conversas com leigos e sacerdotes ele revelou grande heroísmo, ao encarar tudo com alegria, com sorriso no rosto, apesar da visível dor corporal que sentia.

  No último encontro com um padre, o sacerdote perguntou: “Léo, você está pronto para encontrar Aquele que você procurou a vida inteira?”, no que ele respondeu “Sim, estou pronto, faz tempo que estou pronto”. O sacerdote disse “Abrace o Amado, Léo”. “Sim, vai ser muito bonito”, disse ele.

  Os dois conversaram sobre Carlo Acutis e o oferecimento que este fez pela Igreja. Nisto, o Leonardo também foi incentivado a renovar o propósito por quem e pelo que oferecia o sofrimento. Esse propósito já havia sido proferido outrora a Dom Helio.

  Com o passar do tempo, durante a internação, ele deixava claro que oferecia tudo pelo próprio arcebispo, pela arquidiocese como um todo, pelo clero e pelas vocações.

  Muitos vocacionados acompanhados pelo SAV da Arquidiocese acompanhavam o Leonardo com orações e também por mensagens via rede social e até mesmo cartas. A um desses vocacionados, respondendo a uma carta recebida, ele disse “Fico feliz e grato a Deus por você, e sua vocação. Você é um jovem que realmente ama a Deus e sabe transmitir isso aos outros. Leio sempre suas cartas com entusiasmo e alegria. Só tenho a agradecer as orações e sua amizade. Deus queira que você venha morar no seminário e siga esse caminho. A Arquidiocese (a Igreja) precisa de padres santos, só isso”.

  No dia 6 de julho de 2020 o Leonardo encaminhou a um sacerdote a lista de cantos de sua futura ordenação. Sonhava com a ordenação! Já tinha até mesmo um lema, que na verdade era um ideal de vida: “Servi ao Senhor com alegria”, do salmo 99. Lema semelhante ao de Dom Érico Ferrari, também de Nova Palma.

  O curioso é que ele sondava se esse ideal expressava realmente o seu modo de ser e de ver as coisas. Sobre isso, basta ver como ele encarou a vida, e também o fim da sua peregrinação nesta terra, e será possível perceber que realmente “Servi ao Senhor com alegria” era seu ideal.

  Um testemunho bonito também veio de sua mãeJoselita. Ela acompanhou todo o tempo de internação, tendo ficado até mesmo 40 dias sem sair do hospital. No domingo, dia 25, ela disse “eu estou feliz, eu aprendi muito com ele”. E disse mais “Se Deus me pedisse para escolher entre ter um filho que vivesse muitos anos, mas perdido, longe de Deus, e o Leonardo, com essa doença e perde-lo aos 24 anos, eu escolheria o Leonardo de novo”.

  A presença do Leonardo no HUSM não passou despercebida. Sua persistência, entusiasmo, alegria e convicção de que seria padre encantou muitas equipes, e sua perda foi profundamente sentida. O Leonardo não ficou restrito ao hospital no tempo de internação, sendo que ele estabeleceu laços de santa amizade com muitas pessoas também pelas redes sociais, que pode ser confirmada pelas mensagens em sua página no facebook.

  Muito dedicado aos estudos e oração, continuou rezando a Liturgia das Horas e o terço até enquanto pôde, da mesma forma as leituras de Filosofia e Literatura Clássica, que era sua paixão.

  As mensagens de condolências pelo seu falecimento revelaram o carinho que o povo e os padres, mesmo de fora da arquidiocese, nutriam pelo nosso seminarista. Sua vida, oferecida por tantas intenções, com certeza será frutuosa para as vocações e para a santificação do clero.